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Arte de rua destrói vias públicas

13/11/2009, 10:37
Pichadores escrevem em muro da capital

O pichador e grafiteiro E.G., 20 anos, começou a pichar em 2003 na capital, quando conheceu uma ‘grife’, termo usado pelos pichadores para definir uma gangue, de São Paulo. Em 2005 aprendeu a grafitar e agora “falar do grafite é como falar da vida”. Ele considera errado pichar e pensa que assim terá o seu espaço e garante, “é uma tentativa de ser notado, uma forma de manifesto”.
 
O deputado estadual Márcio Fernandes (PSDB) tomou uma iniciativa para reduzir as pichações urbanas. Um projeto de lei apresentado no dia 13 de maio de 2009 na Assembléia Legislativa proíbe a venda de tintas em embalagens do tipo aerosol para menores de 18 em todo o Mato Grosso do Sul. Para adquirir o material, o comprador deverá apresentar um documento de identificação para comprovar a maioridade. Na nota fiscal serão necessários os dados pessoais do cliente.
 
No Brasil, a pichação é considerada vandalismo e crime ambiental, Lei dos Crimes Ambientais, nos termos do art. 65 da Lei 9.605/98 que estipula pena de prisão de três meses a um ano, e multa, para quem pichar, grafitar ou por qualquer meio poluir edificação ou monumento urbano. A lei não intimida os “artistas de rua”. As ‘grifes’ picham com o intuito de dar prejuízo ao governo, pois querem o seu incentivo para que haja um centro de reabilitação para pichadores, onde terão aulas de grafite e desenho.
 
 O delegado da polícia civil titular da Delegacia Especializada em Crimes Ambientais, DECAT, Fernando Villa de Paula, afirma que os juízes aplicam penas alternativas, como o fornecimento de cestas básicas a entidades filantrópicas ou a prestação de serviços comunitários pelo infrator. Apesar de ter cumprido pena, possuir processo por vandalismo e crime ambiental, o pichador de 20 anos diz “quero ficar velho, fazendo várias pichações, pretendo produzir em telas”.  E.G. é contra pagar multa em dinheiro, acredita ser injusto. Com relação às cestas básicas que pagou muitas vezes, diz fazer questão de pagar, pois espera que alimentem os que precisam.
 
Um dos motivos que o faz cometer esse crime é ser notado “não existe maior satisfação que ver o comentário das pessoas, ver elas imaginando como eu consegui subir tão alto, admiram o meu espírito de esforço”. O grafiteiro e pichador apóia uma comunidade da capital, ensina grafite para crianças. Pintar um muro abandonado o faz feliz, “ver aquela diferença, o feio e o belo; a essência é a pintura em si”.

 


Autor: Bruna Galina




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