A 1ª Jornada Internacional sobre a investigação e desenvolvimento da qualidade dos conteúdos audiovisuais televisivos e do jornalismo Brasil – Espanha ocorreu nos dias 20 e 21 de agosto. Na abertura do evento a Profª Dra. Elcia Esmarriaga de Arruda, diretora do Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCHS) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), ressaltou a importância da pesquisa para criar um ensino de qualidade na universidade, ela ainda enfatizou que iniciativas como essas, constroem um caminho para a criação do curso de pós-graduação em comunicação social.
A 1ª palestra da jornada foi ministrada pela Professora Doutora Patrícia Lazaro Pernias, da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB). Com enfoque em qualidade e criatividade radiofônica, a professora explicou como o jornalista deve introduzir um corte informativo e trabalhar sua entonação e intensidade de voz.
Na Espanha noticiários radiofônicos são, em sua maioria, feitos somente com a voz, portanto a professora entende que “com a introdução da música e com criatividade, a notícia alcance a sua função de informar, e atenda a função estética que pode entreter e manter o ouvinte atento”. A proposta de Patrícia é a reportagem radiofônica. “Com a utilização da música e a potencialidade da voz é possível conseguir a construção de uma fotografia auditiva”, acrescenta Patrícia.
Patrícia acredita que é possível ter mais qualidade na informação radiofônica, “a informação radiofônica pode ser mais criativa do que uma pessoa falando atrás de um microfone, não é só narrar os fatos, é utilizar todas as possibilidades expressivas”.
TVs Locais
Os diretores das principais TV’s de Campo Grande apresentaram suas opiniões e seus materiais que consideram feitos com qualidade.
O gerente de jornalismo da TV Morena, Alfredo Singh, apresentou em sua palestra duas reportagens investigativas realizadas pela afiliada, e a grade de programação produzida na capital. Ele também ressaltou a importância de matérias serem veiculadas na rede nacional, e desta forma mediu a qualidade jornalística na Televisão.
A representante da TV Educativa, Mara Kenupp, acredita que o repórter setorista tem uma grande contribuição para a qualidade do tema porque se especializa em uma área e transcende o conhecimento genérico que normalmente é construído pelos jornalistas na rotina acelerada das redações. Segundo Mara, “é necessária a pesquisa jornalística”.
Para finalizar, Mara diz que “a finalidade e a qualidade do programa dependem dos profissionais bem formados e informados”.
A gerente da TV Assembleia, Márcia Chiad, acredita que o desafio da TV é traduzir o linguajar legislativo, para que as pessoas tenham o interesse de saber como os projetos de lei podem interferir na sua vida. Além das reportagens legislativas, a TV Assembleia tem uma série de reportagens sobre qualidade de vida, espaço para as ONGs divulgarem o seu trabalho. A pesquisa jornalística é constante, “uma vantagem das TV’s públicas”, segundo Márcia Chiad.
Também esteve presente a editora-chefe do Bom Dia MS, da TV Morena, Lucimar Lescano. Ela disse que “a busca da qualidade é a busca de toda a informação, por todos os meios de apuração da notícia e que a comunidade ajuda com suas opiniões que chegam pela Internet entre as quatro paredes da redação”.
O acadêmico de jornalismo Rubens Luis Urue diz que o evento é muito importante, na medida em que promove um primeiro passo na discussão da qualidade na comunicação. “A atual programação regional deve ser debatida, e os meios de comunicação devem zelar pela qualidade por meio de programas que tratam da cultura regional que anda em falta”.