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Jornalismo de fronteira é assunto de debate na UFMS

22/09/2009, 08:57

O Centro de Ciências Humanas e Sociais (CCHS) da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) sediou, entre os dias 01 e 15 de setembro, o “1° Curso de atualização: qualidade de conteúdo da comunicação audiovisual e jornalismo”. O curso, destinado a profissionais recém-graduados e docentes da área, é uma parceria entre a Cooperação Internacional Brasil/Espanha e diversos núcleos de pesquisa do Departamento de Comunicação Social-Jornalismo (DJO), como os de Pesquisa Audiovisual, Entrevista e Pesquisa Jornalística e Cultura Midiática, Identidade e Representação Social.
 
Um dos aspectos abordados nos debates foi o jornalismo de fronteira. A temática foi desenvolvida no dia 11 de setembro e teve como palestrantes os professores doutores Daniela Cristiane Ota e Marcelo Vicente Câncio Soares, pesquisadores na área de “Rádio na fronteira de Mato Grosso do Sul” e “Características do jornalismo de fronteira”, respectivamente.
 
O jornalismo tem a particularidade, na fronteira, de servir a dois países ao mesmo tempo. O que é divulgado de um lado repercute imediatamente no outro lado, daí a importância de o profissional saber informar bem e não criar mais rivalidade ou conflito que possa haver entre os países envolvidos. O professor Marcelo Câncio entende que o jornalista deve “apenas divulgar informações que, às vezes, por si só, já são conflituosas, e não exagerar na informação estereotipada e preconceituosa quando se refere ao outro lado da fronteira”.
 
Em relação ao conteúdo dos produtos jornalísticos fronteiriços, Daniela afirma que “quando ocorrem divulgações nacionais, este espaço entre as fronteiras é sempre retratado com forte vinculação no aspecto negativo – as cheias do Pantanal, tráfico de drogas ou crimes de pistolagem”. Câncio ressalva que nas produções locais “fala-se muito sobre a questão da educação, problemas de saúde, trânsito, sobre assuntos da vivência deles, e a vivência deles não se resume ao tráfico de drogas, ao contrabando ou à falsificação. A criminalidade, embora aconteça, não aparece nos noticiários com tanta frequência como aparece nas redes nacionais”.
 
Outro assunto que teve destaque na discussão foi a qualidade das produções na fronteira. O debate acerca da qualidade é muito amplo, e como em qualquer outra produção jornalística, as de fronteira devem apresentar um texto correto e ético, mas, acima de tudo, segundo Marcelo Câncio, devem priorizar conteúdos que abordem as duas comunidades envolvidas. Nesse caso, o jornalista oferece uma informação mais ampla que atende a um número maior pessoas. Para o professor Marcelo, “isso poderia definir uma melhor qualidade desse produto, temas que interessam aos dois lados ao mesmo tempo”.

Autor: Thaysa Freitas / Kamila Pinheiro




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