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Sesi Bonecos agita a capital com o teatro de bonecos

03/09/2009, 09:59

A capital do Estado esteve em ritmo de carnaval durante durante todo o final de semana, com as apresentações da caravana do Sesi Bonecos realizadas sempre a partir das 16h30 no Parque das Nações Indígenas. O festival  reuniu companhias de teatro de Pernambuco, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e do próprio Mato Grosso do Sul.

O evento, que hoje é considerado o maior festival de bonecos do Brasil e de reconhecimento mundial, ofereceu gratuitamente a todas as pessoas presentes, espetáculos teatrais com as mais variadas técnicas e desfiles com banda local acompanhada dos tradicionais bonecos de Olinda e do Dragão gigante de cerca de 40 metros, além da  oficina de bonecos promovida nos dias 24, 25 e 26 de agosto.
 
“O objetivo do projeto é tirar as apresentações do teatro e fazer um grande encontro para milhares de pessoas de todo o país.”, declarou a idealizadora do evento e publicitária Lina Rosa, de 38 anos.

Lina conta que o projeto é a prova de que há produtos culturais de qualidade que estimula a inteligência e que pode ser aberto a um grande público heterogêneo.  “Desejamos acabar com o mito de que o teatro de bonecos é só para o público infantil, pois a arte e a cultura ultrapassa qualquer barreira de tempo e atinge todas as gerações”, disse Lina.

“O Sesi Bonecos teve uma importância muito grande para Campo Grande, pois não é apenas  um programa para toda a família, como também é uma forma de fomentar o desenvolvimento dos trabalho artístico no Estado, a citar a  oficina ministrada pelos atores e integrantes do grupo Giramundo de Minas Gerais, Marcos Malafaia e Rooney Turreg, que proporcionou um conhecimento maravilhoso aos alunos durante os três dias de curso”, afirma a organizadora do evento dentro do Estado e técnica da área de lazer do Sesi MS, Gisele Freire.

No total, foram  mais de mil pessoas em função das artes cênicas na Capital, o projeto ainda contratou 200 pessoas da mão-de-obra local para desempenhar funções dentro da praça de alimentação, nas barracas, segurança do local e outras funções.

O patrocínio da empresa Serviço Social da Indústria (Sesi), por meio da lei de incentivos à cultura e do Ministério da Cultura (MinC) foi  fundamental para a realização do evento que desde 2004 já visitou todas as capitais brasileiras.

O projeto que esteve em Campo Grande pela segunda vez, a primeira foi no ano de 2005, iniciou as apresentações deste ano com a versão internacional “Sesi Bonecos do Mundo” em Brasília, com companhias do Brasil  e de outros cinco países,  Argentina, Itália, Estados Unidos, Espanha e China.

Neste último final de semana, a folia dos bonecos aconteceu em Cuiabá. A  próxima cidade a ser visitada será Belo Horizonte, onde a caravana conclui os trabalhos deste ano. Em 2008 o litoral nordestino foi a rota do Sesi Bonecos. A previsão é de que no próximo ano sejam visitados alguns estados das regiões Sul e Sudeste.

Oficina

As oficinas de seis horas aulas diárias foram ministradas de  24  a 26 de agosto, para 73 alunos entre artistas, educadores, universitários e demais pessoas interessadas em aprender a arte dos bonequeiros, desde a teoria até a pratica sobre bonecos de luva, vara, balcão e fio.

A aluna da oficina e também atriz do grupo Arte e Riso, Fernanda Versolato informou que o curso de bonecos forneceu aos a técnica desde a construção dos bonecos até a manipulação, intitulado por “engenharia bonecal”. “Na verdade se trata de uma verdadeira engenharia, pois tudo é milimetricamente construído, desde a planta dos bonecos, moldes, até os próprios bonecos. Há um cuidado muito grande, para que a simetria seja um componente presente.”, disse Versolato.

O grupo Arte e Riso formado pelos atores Ruano Filartica, Fernanda Cuzler, Marcele Aroca, e Fernanda Versolato foi o único grupo do Estado a se apresentar no evento com o espetáculo “Manual de Barro - sem palavras”, uma peça inspirada nas poesias do autor e poeta Manoel de Barros.

“Um dos grandes desafios da apresentação foi a certeza de que não podíamos cometer nenhum tipo de falha. O teatro de bonecos é muito técnico, se você errar as pessoas percebem claramente o seu erro, ao contrário de outras modalidades teatrais que o ator pode se munir de outras recursos.”  declarou  Fernanda, que também comentou sobre o papel do grupo no projeto. “Tivemos uma responsabilidade enorme por sermos a única companhia do Estado. Contudo foi um grande presente para todo o grupo, tanto pelas possibilidades que o festival nos traz, pois temos a consciência que agora novas portas podem se abrir, como também por termos sido a representatividade sul-mato-grossense no festival”.

Animação

Um pedacinho do Carnaval de Olinda passou pela capital por meio do desfile dos dez bonecos gigantes, do Dragão e da banda local.

O desfile com marchinhas de carnaval contagiou toda a cidade. No total foram realizadas quatro apresentações. Duas na sexta-feira (28) e uma a cada abertura do evento, no parque das Nações Indígenas, às 16h30. A Primeira apresentação iniciou na  praça Ary Coelho,às 10h30 da manhã,  percorreu a Rua 14 de Julho, entre a Avenida Afonso Pena e a Rua Cândido Mariano. Enquanto que a segunda ocorreu na praça do Rádio Clube, por volta das 19h. Os dois desfiles anunciou ao público campo-grandense que não está acostumado com estes tipos de apresentações o que viria nos dois dias seguintes.

A capital foi a primeira a recepcionar o Dragão, manipulado por cerca de 27 pessoas,  que substituiu a Cobra gigante de aproximadamente 50 metros de comprimento que era utilizada para o mesmo tipo de espetáculo. Cada boneco mede acerca de 2,5 metros e chega a pesar 25 quilos, como é o caso do boneco Menino da Tarde, o mais velho entre os dez bonecos, com 30 anos.

A participação dos bonecos na abertura do projeto é tradicional de acordo com um dos integrantes do Sesi Bonecos, Mestre Zé de Vina. “Trabalho com os bonecos desde criança, tinha dez anos quando comecei. Hoje tenho dois filhos e um neto que segue o mesmo caminho que o meu. Foi com a arte que criei minha família, de 16 filhos”.

Adultos, crianças e jovens paravam para ver a comitiva que anunciava os espetáculos do final de semana. Muitos dançaram e pularam na batida carnavalesca. “Nunca fui a Olinda, conheço os bonecos apenas por meio da televisão e confesso que nada se compara do que vê-los pessoalmente. Minha avô materna era pernambucana e ela sempre me contou histórias de lá, como o do “Galo da Madrugada” e vendo o desfile senti saudade dela e vontade de ir até Pernambuco”, confessa, emocionada, a advogada Jéssica Barbosa, de 29 anos.


Autor: Aline Peixoto




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