Alguns departamentos e centros da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul estão com equipamentos velhos e não suprem as necessidades de acadêmicos e professores. Enquanto 6 novos campus foram construídos no estado (Coxim, Andradina, Chapadão do Sul, Bonito, Navirái, Paranaíba e reativação de Ponta Porã), alunos e professores são obrigados a conviver com goteiras, banheiros inundados, equipamentos velhos, e poucas salas de aula.
O professor dr. Hélio Godoy, docente do Departamento de Artes afirma que o laboratório de informática recebeu 4 computadores novos em 2007 e precisa de, no mínimo, 16 para suprir a necessidade nas aulas. Ele afirma ainda que houve outra solicitação de máquinas novas, feitas pela professora Eluiza Bortolotto, e vieram micros ainda mais velhos. Ele acha que a responsabilidade de infraestrutura para o ensino é “jogada para os professores de pesquisa, sendo que a verba é para ser usada na pesquisa, exclusivamente”. O problema de infraestrutura é maior que a falta de computadores, têm 5 câmeras fotográficas, que foram cedidas pelo departamento de Jornalismo, para 70 alunos das disciplinas de fotografia.
O pesquisador acha que “a distribuição não é feita de acordo com as reais necessidades, por isso é inviável discutir tecnologia na Universidade pública. E não é um problema de reitor, é a de funcionamento da UFMS”. Ele afirma que se houvesse uma prioridade para receber esses materiais, os laboratórios didáticos deveriam ser os primeiros, depois para o uso dos alunos e sala de aula, a administração e em seguida, os professores.
O gerente de projetos e obras da UFMS, engenheiro civil Fernando Massamori Asato afirma que o recurso para construção é pequeno e tem que ser suficiente para todos os 10 campi da universidade. Pela falta de espaço físico no campus Campo Grande, “ o melhor seria verticalizar, mas não há verba suficiente. É o mesmo que eu receber a verba para fazer salas de aula e decidir verticalizar, a verba termina só com a base”. Ele afirma que o número de salas de aula é suficiente, mas como os prédios são subordinados a centros e departamentos, as salas “pertencem” a um curso e outros não podem usar sem autorização do mesmo. É a favor do Reuni, pois “há muito mais verba, e no projeto tem o número obrigatório de salas que precisam ser construídas com o dinheiro”.
Os bebedouros do corredor central estão velhos e enferrujados, há vazamentos e é comum ter goteiras até nas salas de aula. O gerente de manutenção José Delfino Dias afirma que a compra de 50 novos bebedouros será em agosto, juntamente com uma solicitação para outros campi, para ter desconto. Existem muitas salas de aula com goteiras porque elas eram antes, corredor. O prédio do CCHS, é um dos mais antigos, com a estrutura defasada, é de difícil manutenção. O telhado acumula muita folha e se a equipe de limpeza não as retira com freqüência, na primeira chuva as goteiras aparecem, pois os canos são finos e ficam dentro dos pilares, como vou desentupir aquilo? Está dentro do concreto!”. Ele afirma ainda que a gerência de manutenção da universidade não trabalha sozinha, precisa de apoio da própria comunidade universitári, professores e alunos devem pedir manutenção dos lugares que usam, pois são eles que sabem as reais dificuldades do local. Destaca que o valor referente à manutenção é o mais baixo que a UFMS recebe e não supre a necessidade.
Em outros departamentos como o Departamento de Economia e Administração – DEA, o coordenador e professor do curso de Administração, Leandro Sauer, afirma que a defasagem no DEA é humana, têm um técnico na biblioteca e outro no laboratório de informática, 14 professores efetivos e 8 substitutos e voluntários, para um departamento que funciona nos três períodos do dia com 600 alunos de gradução e 40 de mestrado. O coordenador afirma que projetos no Ministério da Educação - MEC, como o Educação à distância – EAD, contemplam os referidos cursos com dinheiro para reformas, compras de equipamentos e pagamento de funcionários vinculados ao projeto, pois o recurso oferecido pela UFMS não é suficiente. Ele destaca que existem departamentos em excelência na UFMS, como o curso de química, que 6 alunos ganharam prêmio internacional nos Estados Unidos no ano passado, engenharia elétrica, com o laboratório BATLAB, que foi construído com recursos do CNPq e, computação, com o programa de mestrado sendo um dos melhores do país. Além disso, a UFMS ganhou, em diferentes etapas, todos os 6 anos o concurso Desafio Sebrae, sendo que em dois anos foi a vencedora finalista. No últimos dois ENADE – Exame Nacional de Ensino Superior, entre 1500 cursos, administração ficou com 5 e 4 pontos, sendo 5 a nota máxima da avaliação. O professor Leandro Sauer ainda nesta que “a infraestrutura não interfere na educação, mas sim o conteúdo dos livros e dos professores (...) pois o que faz a diferença no aprendizado de alguém são 2 fatores com duas variáveis cada um. O primeiro fator é o aluno, que tem que se considerar o histórico dele e o tempo de dedicação ao curso, e o segundo fator é o professor, que também tem que se analisar o histórico dele e a didática”. Ele é a favor da descentralização administrativa da universidade, pois administradores locais de cada departamento e centro sabem as reais necessidades dos locais onde atuam profissionalmente. E completa que “falta empreededorismo por parte de alguns professores em algumas partes da UFMS” além da deficiência na comunicação interna que dificulta a divulgação dos méritos da universidade, “como pode ter um professor do Departamento de Computação que está entre os melhores do Brasil ter 2 artigos publicados nas duas maiores e bem conceituadas revistas científicas do mundo e a UFMS não ter conhecimento disso?”.
Sauer garante que “ a UFMS é, sem dúvida, a melhor instituição de ensino do estado” e “por ter duas coisas excepcionais que fazem o seu ensino ter excelência nos estado, nas diversas áreas: os alunos, que passam pelo processo seletivo mais concorrido, o que os torna os melhores alunos do estado e, o número maior de professores doutores, mestres que publicam com freqüência”. O coordenador diz que é mais barato pintar uma parede do que formar um professor, que custa em torno de 240 mil reais, e a UFMS opta por não pintar paredes, ela forma seus professores, ele afirma “diante disso, o que é melhor para a instituição?!”.